sábado, 2 de maio de 2009

DIVAGAÇÕES NOTURNAS - Cara, eu te amo! / Cara, você é gay?



clique no link acima para ver o trailer do filme!


Essa semana eu assisti o filme chamado "eu te amo cara" e me veio a cabeça o tema "preconceito emocional", e com mil idéias sobre o tema, resolvi escrever este texto:


Filme "Eu Te Amo, Cara"(i Love you, man)


Sinopse:


Peter Klaven (Paul Rudd) é um bem-sucedido agente imobiliário que está noivo da mulher dos seus sonhos, Zooey (Rashida Jones). Durante os preparativos do casamento, ele percebe que não tem amigos próximos o suficiente para serem seus padrinhos na cerimônia. Ele resolve conhecer homens para serem seus amigos. Depois de uma série de encontros bizarros com esse objetivo, Peter conhece Sydney Fife (Jason Segel), com quem ele se identifica. No entanto, na medida em que a amizade cresce, mais o relacionamento de Peter e Zooey sofre.


Uma das coisas que mais me intriga é notar o quão preconceituosa é a nossa sociedade, tomemos como exemplo o filme onde o personagem principal se vê de casamento marcado e percebe que não tem um amigo sequer para ser seu padrinho de casamento. aqueles que já conversaram comigo, provavelmente já me viram falar coisas do tipo relacionamentos com a "profundidade de um pires", ou "somos vegetais, machos, congelados e desidratados", e são exatamente esses os elementos utilizados no filme para fazer as paródias, mas será que estamos tão distantes assim da realidade do filme?Tendo em mente essa pergunta fui buscar material sobre isso na nossa velha amiga "WWW", e me deparei com o seguinte texto:


"As emoções da criança não tardam a esbarrar em proibições. São imoladas ao princípio da autoridade e à moral. Instaura-se um processo implacável de recalcamento, de modo que, em vez de se expandir, o potencial emocional se atrofia. A criança descobre que existem emoções permitidas e outras que não o são: "Menino não chora", "Menina boazinha não tem acessos de raiva", "É feio amarrar a cara", "É feio sentir ciúme", "A gente não grita nem mesmo quando está contente..." Cada família alimenta seus próprios preconceitos nessa matéria, desenvolvendo uma verdadeira microcultura emocional. Numa, aprecia-se a alegria ruidosa; noutra, não se tolera qualquer manifestação de cólera; noutra ainda, alguém se apressa a dar uma guloseima à criança entristecida, assim fabricando um futuro bulímico que, quando estiver deprimido, não terá outro reflexo senão abrir a geladeira. (Michel Lacroix, filósofo, no livro "O culto da emoção")


Os elementos acima citados, nos dão uma noção de como surgem os paradigmas familiares e sociais que regem nossa cultura. Esses "dogmas" são adotados pela maioria, e a partir do momento que uma pessoa pensa e age de forma diferente dos padrões impostos pela nossa sociedade ela sofre o "preconceito emocional". Vamos uma analise rápida dos termos.



Segundo o dicionário: Preconceito


s.m. Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. &151; O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total.


Segundo o dicionário: Emoção


s.f. Abalo moral ou afetivo; perturbação, geralmente passageira, provocada por algum fato que afeta o nosso espírito (boa ou má notícia, surpresa, perigo): a homenagem causou-lhe grande emoção.



Esses são alguns paradigmas que ouvimos no dia-a-dia:


-homem não chora.


-Homem não diz eu te amo a outro homem.


-Não se deve confiar em ninguém.


-ninguém tem amigos.


E eu poderia passar dias citando outros tantos, mas vamos em frente. Se um homem diz a outro amigo homem "cara, eu te amo" tentando expressar seu afeto e carinho por aquele a quem considera especial(um amigo), ele corre o sério risco de ouvir em troca e pergunta "cara, você é gay?", ou numa hipótese mais branda ele será motivo de sarro para todos os conhecidos por um bom tempo. assim nossa sociedade diz que homem não deve chorar, e o pior dos pecados nessa lista é chorar por mulher, ai entram frases absurdas como "mulher é que nem biscoito, vai uma vem dezoito." Entre outras ainda mais grotescas.


Notem que eu citei o lado masculino de forma intensa, por que, mesmo hoje vivendo em uma sociedade que supostamente permite a igualdade dos sexos, o machismo ainda impera de forma silêncioda porém constante. Dependendo da visão preconceituosa, duas mulheres de mãos dadas, podem ser duas amigas muito "saidinhas", ou duas lésbicas, mas predominantemente, dois homens de mãos dadas, serãos taxados como gays. uma garota brincando de futebol, é uma menina "danada", um menino brincando de bonecas é uma criança que precisa ser vigiada para não se "desvirtuar", então com todos os paradigmas que nossa sociedade impõe sobre as relações afetivas, gera um distanciamento cada vez maior das pessoas, umas das outras, criando relacionamentos fraternos coma profundidade de um pires(amo essa frase) e relacionamentos amorosos aonde o "amor" consiste em uma boa transa e talvez ficar algumas vezes, e qualquer um que ouse ultrapassar as linhas impostas pelos "tabus" emocionais, corre o sério risco de ser discriminado sumariamente, temos então a nossa caça às bruxas emocional, nesse "padrão" certas emoções são exaltadas e outras são marginalizadas, nós somos motivados a alimentar sentimentos de competitividade, de raiva, de revolta, de medo, desconfiança e tantos outros, por outro lado pouco se fala em amor fraterno, amizade verdadeira etc. E ai temos a visão do preconceituoso queé apoiado e se sente "certo", e a visão da vitima do preconceito que passa a se questionar o que fez de errado. as perguntas que ficam no ar são:

O que então devemos fazer para evitar o preconceito emocional, como definir corretamente?

A quais emoções devemos nos entregar e quais devemos reprimir?

Eu não vou ser arrogante ao ponto tentar definir esses padrões, mas uma boa dica, que acho que todos deveriam seguir, é o próprio bom senso. Não o bom senso imposto pela nossa sociedade, e sim o bom senso primordial que todos nós herdamos, que nos diz o que é certo ou errado independente das opiniões e influências alheias, talvez se tentarmos ser menos mecânicos, em nossas relações, se tentarmos dizer "cara, eu te amo!", mais vezes ai sim talvez comecemos a encontrar as respostas das perguntas acima, do contrário vamos continuar a caminhar na escuridão, guiados pelo preconceito emocional. e acredito que o fim será similar ao que ocorre no filme "Equilibrium", que também trata sobre esse assunto com elementos de ficção ciêntifica, mas ai deixaremos para as próximas divagações noturnas.


E assim eu encerro essa divagação com uma frase do próprio lacroix.


"Assim, em busca de sensações fortes, o indivíduo moderno emociona-se muito. Mas, será que sabe sentir? Cada vez mais agitado e cada vez menos sensível, por que terá ele abandonado as emoções serenas? Eis o cúmulo do paradoxo: no momento em que triunfa e se torna objeto de um verdadeiro culto, será que a emoção tomou irremediavelmente o caminho do delírio?", questiona Lacroix.

muito abrigado a todos os que estão me apoiando, e até às próximas madrugadas de insônia.



3 já divagaram:

Cláudia,  3 de maio de 2009 12:10  

É realmente esse filme é muito interessante mostra como se desenvolve um relacionamento de amizade entre dois homens, q não só conquista o publico masculino, e é uma boa comédia,.A auto-ironia também é um grande elemento usado constantemente nessa comédia. Cada vez mais, homens se sentem inseguros e preconceituosos de dizer essa frase do título e, buscando a simplicidade nas relações de amizade com outros homens o filme brinca com essa questão achei muito interessante.E esses paradigmas já vem de muito tempo acho q por isso se torna muito difícil um homem se expressar de uma maneira bem simples para outro
“EU TE AMO” acho que eles se sente acuado quer dizer acho que vontade tem mas, vem os “paradigmas”rs rs.

Bjão Sol

Júnior Vondrake,  3 de maio de 2009 22:03  

Eu nao assisti o filme, mas pelo assunto em si, posso dizer que é no meio social sempre haverá algum codigo social.
No caso aqui falamos de codigos afetivos, onde estamos numa sociedade que enaltece valores baseados em influencia religiosa, influencia de historias passadas, conceitos impostos pela mídia, e principalmente machismo (tanto de homens quanto de mulheres, que muitas vezes se mostram mais machistas que os homens).
O interessante é que isso influencia no nosso dia a dia trabalhistico, social e conjugal. Pq o mesmo sentimento reprimido entre amigos apenas por machismo e ignorancia sera o mesmo reprimido com em relacionamento amoroso, no trabalho e assim sempre iremos procurar desculpas para nossas ações quando acharmos estar certos quando estivermos errados e vice-versa.

john 4 de maio de 2009 00:17  

realmente Sol, a cada dia vc citou alguns exemplos aque podem ser adicionados à lista, e ennquanto n quebrar-mos essa barreiura seremos prisioneiiros de nossos preconceitos.

Júnior tbm cncordo com vc e realmente hjj em dia tenho percebido que a maior fonte de origem do machismo que vem da própria mulher, que se acostumou a viver entre homens "grossos" e pouco sensiveiis ao passo que ela própria tem se tornado insensivel(mulheres n estou dizendo que são todas apenas uma maiorai consideravél) e portanto elas mesmas criam uma relação com o núcleo machista inadivertidamente e se tornam ferramentas dessa expansão do preconceito emocional.

obrigado a ambos pelos coments
abraços

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